NOAA confirma El Niño e Aneel avalia barragens e impactos de seca no Norte

Medidas para operação durante período seco / Crédito: Agência Brasil

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) emitiu nesta quinta-feira, 11 de junho, um alerta oficial para a ocorrência do El Niño. Segundo comunicado, há 63% de probabilidade de que o fenômeno atinja intensidade suficiente entre novembro e dezembro.

Caso esse limite seja superado, a NOAA classificará o evento como um El Niño “muito forte”. A entidade considera um El Niño estabelecido quando as temperaturas do Oceano Pacífico equatorial permanecem pelo menos 0,5°C acima da média durante vários meses consecutivos.

“Nem todo El Niño é igual; cada evento é único e deixa sua própria marca sobre o clima”, afirmou Ken Graham, diretor do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS), órgão ligado à NOAA. “O monitoramento avançado e uma melhor compreensão dos padrões do El Niño permitem ao NWS aprimorar suas previsões e preparar melhor a população e seus parceiros para os impactos que estão por vir”.

Na última semana, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia indicado que há 80% de probabilidade de ocorrência de um evento El Niño entre junho e agosto de 2026. Segundo a entidade, as chances de o fenômeno persistir até pelo menos novembro são próximas ou superiores a 90%. Embora ainda exista incertezas em relação à intensidade e ao momento de seu pico, a maioria dos modelos de previsão indica que o El Niño deverá atingir intensidade ao menos moderada, com possibilidade de se tornar forte. 

Impacto no setor elétrico

Nesta quarta-feira, 10 de junho, A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reforçou junto aos proprietários de barragens do setor elétrico a necessidade de adoção de medidas preventivas de segurança diante da perspectiva de um período chuvoso mais intenso no segundo semestre de 2026, em meio à possibilidade de ocorrência de um evento forte de El Niño.

Em ofício encaminhado a associações do setor, a Superintendência de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica destacou que os empreendedores são os responsáveis legais pela segurança das barragens e devem adotar ações para identificar e mitigar fatores de risco que possam comprometer a integridade das estruturas e instalações associadas.

Entre as recomendações da Aneel estão a disponibilização de recursos para manutenção, reforço e melhorias das estruturas civis, além da verificação de anomalias identificadas em inspeções e revisões periódicas de segurança. A agência orienta que eventuais pendências apresentem baixa gravidade, urgência e tendência, sem impactos para a segurança das estruturas.

A fiscalização também chama atenção para a necessidade de avaliar possíveis alterações na vazão máxima associada à cheia de projeto e seus efeitos sobre a capacidade de vertimento das barragens. Além disso, recomenda a adoção de metodologias de monitoramento e modelagem hidrometeorológica dos cursos d’água a montante dos reservatórios, com o objetivo de antecipar eventos extremos.

O ofício ainda destaca a importância de manter atualizados os contatos constantes nos Planos de Ação de Emergência (PAE), concluir pendências relacionadas à implementação desses planos e garantir o funcionamento adequado dos instrumentos de auscultação, incluindo calibração, testes e atualização dos níveis de alerta.

A Aneel também orienta os agentes a manterem atualizados os Formulários de Segurança de Barragem (FSB), especialmente em relação ao Nível de Segurança e à Categoria de Risco, além de assegurar o correto funcionamento dos equipamentos e estruturas de vertimento, com testes prévios de abertura e fechamento de comportas, tanto de forma remota quanto local.

Segundo a agência, caso sejam identificados riscos capazes de alterar o nível de segurança das estruturas, a situação deverá ser comunicada imediatamente à Aneel, acompanhada de um plano de ação e de um cronograma para solução dos problemas apontados.

Receberam o ofício a Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abragel), a Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas (Abrapch) e a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine).

Solicitação do MME

O Ministério de Minas e Energia (MME) solicitou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que acompanhe e estimule a adoção de medidas preventivas pelos agentes de geração, transmissão e distribuição de energia diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño no período de 2026/2027.

O pedido, assinado por João Daniel Cascalho, secretário de Energia Elétrica da pasta, foi formalizado em ofício encaminhado em 1º de junho, e tem como base uma nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), que avalia a evolução do fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

A nota técnica destaca que, caso o cenário atual se confirme, os impactos mais relevantes poderão ocorrer a partir da primavera e do verão de 2026/2027. 

Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas e aumento das temperaturas, favorecendo estiagens mais severas e maior pressão sobre os recursos hídricos. Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o fenômeno poderá comprometer parte da estação chuvosa, dificultando a recuperação dos reservatórios hidrelétricos e elevando o risco hidrológico.

O documento também aponta potenciais efeitos sobre setores estratégicos da infraestrutura hídrica e energética da região Norte, especialmente em bacias associadas às usinas hidrelétricas dos rios Xingu, Madeira e Tocantins-Araguaia, em função da possível redução das vazões afluentes aos reservatórios.

Em relação às temperaturas, o Cemaden alerta que um cenário de El Niño moderado a intenso, combinado à tendência de aquecimento global, poderá intensificar a ocorrência de ondas de calor em 2026 e 2027. O órgão destaca ainda que períodos mais prolongados de seca na Amazônia e no Pantanal podem aumentar o risco de incêndios nessas regiões.

Seca no Norte

Antes desse pedido, a pasta pediu que a Aneel monitore e adote medidas preventivas e de gestão junto aos agentes responsáveis pelo suprimento de energia elétrica na região Norte, a fim de minimizar as possíveis consequências negativas sobre o fornecimento de energia elétrica à população e às atividades econômicas locais.

A autarquia realizará reunião presencial no dia 22 de junho de 2026, às 9h, na sede da Âmbar Energia Amazonas, em Manaus, com a participação de agentes do setor, empresas e órgãos governamentais para tratar do assunto.

Segundo ofício enviado pela agência à pasta, os representantes das empresas deverão apresentar informações detalhadas relativas às usinas nos Sistemas Isolados do estado do Amazonas sob sua responsabilidade (Produtores independentes e distribuidora – geração própria alugada), tais como: identificação de restrições logísticas de fornecimento de combustível junto ao supridor e tratativas já realizadas para garantir a regularidade do suprimento; plano de contingência; e solução de suprimento para enfrentamento da situação.

Fonte: megawhat.uol.com.br

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