
A Ultragaz inaugurou o primeiro posto de abastecimento de biometano em rodovia da sua nova rota verde, no Complexo Lago Azul, na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo. A companhia planeja instalar mais de 20 unidades em corredores logísticos brasileiros, num horizonte de até três anos, para ampliar o acesso ao combustível renovável e contribuir para a descarbonização do transporte de cargas.
O projeto marca uma nova etapa da estratégia da empresa de ampliar sua atuação no mercado de biometano, com a construção de infraestrutura de abastecimento para transportadoras e embarcadores. A iniciativa também busca atender empresas que não possuem demanda suficiente para justificar a instalação de postos próprios e deve entrar em operação comercial em 2027. No momento, a unidade atenderá parceiros da Ultragaz.
Segundo o vice-presidente de Mercados da Ultragaz, Guilherme Darezzo, a companhia pretende construir postos nos principais corredores logísticos do país, com foco inicial nas regiões Sul e Sudeste, onde estão concentradas as plantas de produção e os clientes da empresa.
“Nosso plano estima cerca de 20 postos de rodovia. A ideia é criar corredores, principalmente para produtos que vão para exportação, onde há uma necessidade de maior descarbonização e cumprimento de metas de redução de carbono”, disse para jornalista durante cerimônia de inauguração.
A expansão será realizada conforme a demanda dos clientes e a viabilidade técnica e econômica dos projetos, por isso, a empresa ainda não definiu o número exato de unidades que serão instaladas nem um cronograma de inaugurações. O projeto da rodovia dos Bandeirantes contou com um investimento de até R$ 4 milhões, valor integralmente financiado pela própria companhia. O investimento total na nova rota verde ainda não foi divulgado.
A nova infraestrutura da Bandeirantes contará com uma capacidade de 24 mil m³ de biometano por dia em cada unidade, volume suficiente para realizar mais de 200 abastecimentos diários de caminhões pesados por unidade.
Descarbonização do transporte de cargas
A nova infraestrutura busca atender um dos setores mais desafiadores para a transição energética: o transporte rodoviário de cargas.
Segundo Darezzo, cerca de 65% das cargas movimentadas no Brasil são transportadas por rodovias. O país possui mais de 2 milhões de veículos pesados movidos a diesel, enquanto a frota de caminhões a gás natural é de aproximadamente 2,5 mil unidades.
“É o setor mais difícil de descarbonização hoje, para a indústria e para os transportadores. Cada um tem sua meta de redução. Nossa proposta, muito junto com o cliente, é achar os pontos ideais de abastecimento nos principais corredores logísticos do Brasil. Se tiver demanda e oferta, com viabilidade técnica e econômica, a gente consegue atuar em qualquer local do Brasil”, afirmou.
A escolha da Rodovia dos Bandeirantes para a primeira unidade considerou o fluxo de cargas e a concentração de clientes na região. O corredor recebe produtos do interior paulista destinados ao Porto de Santos, incluindo cargas do setor de suco de laranja e outros produtos voltados à exportação.
A empresa também negocia a instalação de uma nova unidade na BR-101, com tratativas mais avançadas para a escolha de um posto parceiro.
A Ultragaz possui contratos com fornecedores em 15 polos de produção, que somam aproximadamente 700 mil metros cúbicos por dia de biometano. Desse volume, cerca de 150 mil metros cúbicos diários já são comercializados pela companhia.
Segundo Darezzo, desse montante vendido, 20% são destinados ao abastecimento de frotas pesadas. A empresa possui cerca de 20 clientes com operações de biometano no Brasil, dos quais seis contam com postos internos de abastecimento.
O portfólio de fornecedores inclui aterros sanitários, usinas do setor sucroenergético e projetos ligados ao aproveitamento de resíduos industriais e do agronegócio.
A companhia busca conectar a oferta de biometano à demanda de clientes industriais e do transporte pesado, aproveitando sua experiência em logística e distribuição de energia.
“Nosso papel é ser um grande indutor e desenvolvedor desse mercado”, afirmou o executivo.
Tecnologia própria e expansão nacional
A Ultragaz desenvolveu tecnologia própria para compressão e descompressão do biocombustível, utilizada na infraestrutura de abastecimento. O sistema opera de forma independente da rede de distribuição de gás canalizado, o que permite à companhia expandir a operação sem depender de concessões estaduais.
O desenvolvimento dos equipamentos levou cerca de 15 anos e foi realizado por uma equipe de engenharia própria, localizada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. A tecnologia também já foi exportada para outros países.
Segundo Darezzo, os equipamentos permitem reduzir o consumo de energia elétrica e o tempo de abastecimento, além de representar um diferencial competitivo para a empresa.
Transição energética e complementaridade de fontes
Para a Ultragaz, a expansão do biometano no transporte pesado faz parte de uma transição energética que dependerá da complementaridade entre diferentes fontes.
“Na nossa visão, a transição energética será feita por diversas fontes. É a complementaridade de soluções. Não dá para ser tudo biometano, tudo energia elétrica, tudo gás, tudo óleo diesel, gasolina”, afirmou Darezzo.
O executivo destacou que o biometano tem potencial de crescimento no Brasil, devido à disponibilidade de resíduos e à possibilidade de produção a partir de diferentes atividades econômicas.
A companhia também atende clientes com postos internos, voltados ao abastecimento de frotas e ao consumo industrial. A nova rede rodoviária amplia as possibilidades de uso do combustível, especialmente para empresas que não possuem estrutura própria de abastecimento. Segundo Darezzo, os projetos de biometano da Ultragaz já evitaram cerca de 110 mil toneladas de emissões de CO₂.