Petróleo da Foz do Amazonas é ‘leve’ e testes são promissores, diz Lula

Petróleo da Foz do Amazonas é 'leve' e testes são promissores, diz Lula

Lais Carregosa e Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

Lais Carregosa e Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

O presidente Lula disse na segunda-feira (17) que o óleo encontrado pela Petrobras na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, é “leve” e “muito chique”. Lula falou em evento no Oiapoque, no Amapá, para anunciar a descoberta da companhia. Antes, ele visitou o navio-sonda que realiza a perfuração.

Em sua fala, Lula frisou a qualidade potencial do petróleo encontrado. “No pré-sal, chegamos a 32 API [escala padrão que mede a densidade do óleo. Quanto maior o valor, mais leve e fluido é o óleo]. E qual é o máximo que a gente tem? Uns 40 API? (…) Nós temos a chance de ter um petróleo muito chique”, disse. 

Ele destacou que os testes realizados até então são promissores. “Eu sujei a mão no pré-sal e sujei a mão nesse [extraído na Foz do Amazonas]. Esse parecia que já estava refinado de tão leve que é”, afirmou o presidente. O petróleo “leve” é considerado de mais alta qualidade e tem maior valor de mercado. Na ocasião, Lula reproduziu a foto tirada em 2008, quando teve início a exploração pré-sal, com as mãos sujas com o óleo encontrado.

A cúpula da Petrobras, no entanto, foi mais cautelosa. “Parece muito, mas a análise será feita no nosso centro de pesquisa”, disse Sylvia dos Anjos, diretora de Exploração e Produção da estatal. Segundo ela, até agora foi feita apenas uma “análise flash”, que apresentou “boas indicações”.

Clima amistoso
Também participou do evento o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que elogiou o esforço do governo pelo licenciamento ambiental para a exploração da área. “Presidente Lula, em nome do povo amapaense, novamente, nossos agradecimentos por ter enfrentado esse desafio em nome da soberania nacional”, disse.

Ele criticou “outros países que infelizmente insistem em, de uma forma ou de outra, querer tutelar o futuro do Brasil”. Ele ainda ressaltou o papel de “liderança” de Lula, como chefe do Executivo, e sua atuação “na trincheira de defesa do Congresso Nacional” no apoio à exploração de petróleo na Margem Equatorial.

O clima amistoso entre Lula e Alcolumbre se dá após jantar entre os dois, no início do mês, depois do qual o presidente do Senado deu andamento a três projetos de interesse do governo. 

A cordialidade também se estendeu ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que disse querer “reconhecer e abraçar” Alcolumbre pela defesa de “pautas tão importantes para o Brasil e, de forma tão aguerrida, [para a] sua terra, o Amapá”. O senador também acenou a Silveira em seu discurso, ao mencionar parte da fala do ministro sobre a importância da soberania energética. Os dois já foram aliados no passado, mas se distanciaram após desentendimentos ao longo do governo, segundo fontes.

“Nenhum brasileiro em sã consciência pode abrir mão da sua soberania e das suas riquezas naturais para poder combater a miséria, combater a fome e fazer desenvolvimento. Aí, eu queria também reconhecer e abraçar a liderança do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, que defende pautas tão importantes para o Brasil”, disse Silveira.

Estudos
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, afirmou que a descoberta na costa do Amapá confirma os estudos da companhia, que indicavam potencial relevante de óleo na região. Já a confirmação do montante de óleo disponível na região, segundo ela, depende da continuação da exploração de poços no bloco. 

Por enquanto, a Petrobras só perfurou o poço denominado Morpho, que deve ter os trabalhos concluídos entre 15 e 20 dias. No entanto, há outros três poços para serem perfurados no bloco, que aguardam licença ambiental. Ainda segundo a CEO, há mais cinco blocos adjacentes a este na Bacia da Foz do Amazonas que a companhia pretende pesquisar.

“Esse esforço exploratório, que é gigantesco, é que vai dizer para a gente quanto é de petróleo que a Margem Equatorial, no offshore do Amapá, tem a nos oferecer. Tudo indica que vai ser bom. Nós estamos extremamente otimistas, e foi isso que nós viemos dizer para vocês: tem petróleo, tem descoberta, a gente ainda não sabe quanto, nós vamos continuar investindo, vamos continuar explorando, e o futuro vai dizer quanto o Amapá pode nos oferecer”, disse Magda.

A descoberta da Petrobras foi anunciada na última sexta-feira (14). Trata-se do poço exploratório no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá. Batizado de Morpho, o poço está localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, a uma profundidade de 2,9 mil metros abaixo do nível do mar.

A diretora de Exploração e Produção da Petrobras destacou que esse primeiro poço ajudou a direcionar a perfuração dos outros três poços da companhia no bloco. Na Margem Equatorial como um todo – área que abrange o litoral do Amapá até o Rio Grande do Norte –, serão 32 poços.

Otimismo
Na última sexta-feira (14), a Petrobras anunciou a identificação de presença de hidrocarbonetos em poço exploratório na costa do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas – uma das cinco que compõem a Margem Equatorial. “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje”, disse a presidente da companhia, na ocasião.

A petroleira iniciou a perfuração no local depois que o Ibama emitiu licença, em outubro de 2025, após longo imbróglio entra a Petrobras e o órgão ambiental. A perfuração segue sendo feita, em vista da continuidade da avaliação do reservatório.

*Reportagem atualizada às 8h22 desta terça-feira (18 de agosto) para incluir informações complementares.

Fonte: agenciainfra.com

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