Investimento em CCUS ultrapassa US$ 5 bi, mas financiamento ainda é nó

Emissões de carbono na indústria/ Freepik

O investimento em projetos de CCUS (captura, uso e armazenamento de carbono, na sigla em inglês) cresceu mais de 15 vezes desde 2020 e já ultrapassa US$ 5 bilhões, estima a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Atualmente, o número de instalações de captura em grande escala passa de 70 e, apenas nos últimos dois anos, mais de 30 projetos receberam decisões finais de investimento (FIDs). Com isso, a capacidade operacional de captura deverá quase dobrar até 2030, segundo a IEA.

Ainda assim, a tecnologia enfrenta desafios, sobretudo em relação ao financiamento. A IEA observa que o CCUS gerencia CO2, produto com pouco valor de mercado e com demanda limitada, o que impõe desafios à viabilidade comercial dos projetos. 

Além disso, há incertezas em relação à responsabilidade de longo prazo pelo carbono armazenado, o que dificulta a avaliação de riscos e o financiamento. Assim, cerca de 90% dos projetos anunciados para 2035 ainda não tiveram FID, e muitos foram cancelados.

Nesse contexto, a IEA avalia que o interesse em CCUS está aumentando entre os financiadores, mas faltam modelos de receitas previsíveis e estruturas claras de alocação de risco em toda a cadeia de valor. Com isso, o capital privado ainda tem se concentrado em projetos na América do Norte. 

Em outras regiões, o financiamento por meio de capital de risco e capital de crescimento tem mais destaque, e muitos projetos são personalizados, com destaque para aqueles inseridos na cadeia de óleo e gás. Segundo a IEA, o CCUS da Petrobras na Bacia de Santos continua sendo o único projeto de larga escala em operação fora da Europa ou América do Norte.

Há, ainda, o apoio governamental à tecnologia, e a IEA calcula que os governos já investiram mais de US$ 50 bilhões em mecanismos de apoio ao CCUS nos últimos três anos. Este apoio varia entre as regiões e, na Europa, há iniciativas de receita e compartilhamento de riscos a longo prazo, em vez de subsídios iniciais. Já na América do Norte, a IEA destaca incentivos fiscais e acordos de longo prazo para créditos de carbono.

Fonte: megawhat.uol.com.br

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