
A CTG Brasil enviou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o plano técnico para reduzir, em caráter excepcional, a vazão defluente da hidrelétrica Jupiá de 3.300 m³/s para 2.300 m³/s a partir de 1º de março de 2026, logo após o término do período de piracema.
O plano foi encaminhado por meio de ofício protocolado em 9 de fevereiro, ao qual a reportagem teve acesso, e inclui as medidas de monitoramento e mitigação ambiental a jusante da usina.
A proposta prevê a adoção das vazões reduzidas até 31 de outubro de 2026, condicionada à programação e comando do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Conforme apurou a MegaWhat, o pedido da companhia cumpre as diretrizes do plano de ação traçado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), de forma que os agentes estejam preparados caso os reservatórios entrem em nível crítico no mês de março.
A expectativa é que esse acionamento ainda não seja definido na reunião do CMSE marcada para amanhã, 11 de fevereiro, e que o monitoramento das condições hidroenergéticas se mantenha até o final de fevereiro.
A vazão de Jupiá
Segundo a empresa, a iniciativa considera o atual cenário hidroenergético do Sistema Interligado Nacional (SIN) e a necessidade de flexibilização de restrições hidráulicas em usinas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste.
No documento, a CTG argumenta que não há vazão mínima defluente formalmente estabelecida para a UHE Jupiá pelo Ibama, pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) ou pelo contrato de concessão vigente.
A companhia também cita a experiência de 2021, quando reduções semelhantes foram aplicadas durante a crise hídrica, com medidas de mitigação para impactos ambientais e operacionais.
Como contrapartida ambiental, a empresa propõe intensificar o monitoramento de qualidade da água e a identificação de eventuais peixes aprisionados durante o período de vazões mais baixas, além de apresentar relatórios técnicos ao Ibama após o encerramento das operações excepcionais.
Recomendação do CMSE
O pedido da CTG ocorre diante à preocupação com as condições hidrológicas ao fim do período chuvoso. Em janeiro, o CMSE recomendou a elaboração de um plano de ação envolvendo instituições responsáveis pela gestão das vazões mínimas na bacia do Paraná.
A orientação é que, caso as condições hidrológicas se deteriorem ao longo de fevereiro, sejam avaliadas novas reduções de vazão em hidrelétricas da região a partir de março, após o fim da piracema.
A estratégia inclui a manutenção da política de redução da inflexibilidade hidráulica no SIN, adotada desde dezembro de 2025, com o objetivo de favorecer a recuperação dos níveis dos reservatórios.
A redução das defluências foi uma das principais medidas adotadas durante a crise hídrica de 2021, considerada a mais severa em cerca de 90 anos, mas gerou embates com órgãos ambientais, especialmente o Ibama, em função dos potenciais impactos ecológicos.
(Reportagem atualizada em 10/02/2026, às 16h30, para esclarecer que se trata de um plano técnico apresentado pela CTG ao Ibama em cumprimento ao CMSE, e não um pedido da companhia)