
Os cortes de geração renovável voltaram a crescer em abril, atingindo 18,9% da geração total, e acima dos 15,2% de março e dos 9,3% registrados no mesmo período do ano passado, segundo análise do Itaú BBA.
O avanço de abril foi puxado principalmente por restrições energéticas (15,4%), associadas à falta de demanda no sistema, que responderam pela maior parte dos cortes no mês. Já os eventos ligados à confiabilidade elétrica (1,9%) e indisponibilidades externas (1,5%) permaneceram quase que estáveis na comparação mensal.
O relatório. assinado pelos analistas Filipe Andrade, Luiza Cândida e Victor Cunha, aponta que o avanço foi disseminado entre regiões e empresas, com aumento relevante tanto em volume quanto em intensidade dos cortes.
Ouça também: Curtailment volta a subir e nova tarifa de Itaipu ganha força
No recorte por fonte, o curtailment eólico chegou a 15,8% da geração, enquanto o solar atingiu 25,4%, ambos em trajetória de alta na comparação mensal.
Em relatório divulgado em março, os analisadas do Itaú apontaram que o corte de solar atingiu 20,8% da geração no mês, mais que o dobro do registrado em fevereiro (9,9%), enquanto a geração eólica teve cortes de 11,9%, ante 8,8% de fevereiro.
Cortes por estado
Ceará e Maranhão lideraram os cortes eólicos em abril, com níveis superiores a 33% da geração, repetindo o padrão observado nos meses anteriores.
No caso da geração solar, os maiores impactos ficaram em Bahia, São Paulo e Piauí, todos com cortes acima de 20% da produção.
A análise por subestações reforça essa concentração. No caso da energia eólica, as três mais afetadas estão no Ceará, enquanto, para solar, três das cinco mais impactadas ficam na Bahia, indicando gargalo de escoamento nessas regiões.
Empresas ampliam exposição
Em termos absolutos, a Auren foi a mais impactada tanto em eólica quanto em solar, com volumes superiores a 200 MW no mês.
Já em termos relativos, proporcional à geração, Alupar e Eneva aparecem entre as mais afetadas, com níveis acima de 20%.
No segmento eólico, a Cemig teve o maior impacto na comparação proporcional, enquanto Auren liderou em volume absoluto.
Para solar, novamente a Auren concentrou os maiores impactos, com Equatorial, Comerc e Eneva também registrando aumento relevante nas restrições.
Tendência segue pressionada
O aumento dos cortes em abril ocorre em um contexto já desafiador traçado pelo Itaú BBA no relatório anterior. Apesar da alta recente, o primeiro trimestre ainda havia apresentado níveis médios inferiores ao fim de 2025, com curtailment de 16,2% da geração, ante 24,3% no quarto trimestre do ano passado.
As simulações do banco indicam um cenário pressionado à frente. No cenário base, os cortes devem permanecer próximos de 18% da geração até 2029.
Esse nível pode cair para uma faixa entre 8% e 11% em um ambiente de maior crescimento da demanda, mas pode subir para até 26% em um cenário de carga mais fraca.
Em todos os cenários, a geração solar segue como principal vetor do problema, com taxas mais elevadas de curtailment.