Aeris vê retomada na produção e avalia reestruturação de capital para conter pressão de dívidas

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A fabricante de pás eólicas Aeris Energy avalia que o mercado eólico está se recuperando no Brasil com leilões de transmissão e liberação de capacidade de conexão com o “dia do perdão”, enquanto o mercado norte-americano se mostra resiliente e robusto, mesmo com a taxação a produtos brasileiros e a desaceleração da gestão Trump em relação a energia renovável.

A companhia destaca que, atualmente, tem 2 GW em projetos já contratados para entregas entre 2026 e 2027, e mais 500 MW em negociação avançada. Com isso, a Aeris reativou parcialmente quatro linhas de produção, que se somam a outras duas linhas maduras. Há, ainda, mais duas linhas desativadas, que podem voltar a operar caso novos projetos se concretizem. 

“Começamos a observar os primeiros efeitos da retomada operacional da companhia. No segundo trimestre, registramos crescimento da receita líquida em relação ao trimestre anterior, refletindo um aumento do volume produzido, a evolução das exportações e o reconhecimento de receitas associadas a novos contratos e serviços”, disse o CEO da Aeris, Alexandre Negrão, durante teleconferência com investidores sobre os resultados do segundo trimestre de 2026

Apesar disso, na comparação anual as entregas foram 54,6% inferiores em relação ao montante de potência entregue em MW, e a receita operacional líquida caiu 46,6% em relação ao segundo trimestre de 2025.

“Na comparação com o primeiro semestre de 2025, a receita ainda permanece abaixo do patamar do ano anterior, refletindo o menor nível de atividade observada no mercado eólico brasileiro ao longo dos últimos trimestres. No entanto, o segundo trimestre de 2026 já apresenta o primeiro cenário de retomada operacional da companhia, com a reativação das linhas de produção e o avanço da execução dos contratos já firmados”, declarou a diretora Financeira da Aeris, Cristiane Barreto Salles.

Com R$ 1,9 bilhão em dívidas, montante 19,2% superior do que o registrado um ano antes, a Aeris analisa “melhoria na estrutura de capital”, informou Salles. 

“A gente está estudando alternativa de reforço de capital e de endereçamento da nossa dívida”, disse a executiva. A empresa não deu detalhes sobre as estratégias avaliadas, como eventual nova emissão de ações, informando que seriam comunicadas em momento oportuno após a conclusão das análises.

Taxação no mercado norte-americano e concorrência chinesa no Brasil

Negrão informou que a Aeris continua com uma exportação 100% dedicada para os Estados Unidos, e reconheceu que as taxações do governo Trump a produtos brasileiros reduz a competitividade da companhia, mas ainda não atrapalha as exportações da Aeris. “Apesar das taxações, nós continuamos com um mercado robusto”, disse o executivo.

O presidente da Aeris também comentou a concorrência chinesa no Brasil, avaliando que esta não é a principal razão para a redução nas receitas da companhia. “Obviamente, é um competidor a mais. [Mas] eles têm uma fábrica menor do que a nossa”, disse, sem mencionar o nome do concorrente. A fabricante chinesa Sinoma Blade tem fábrica em Camaçari, na Bahia, desde 2023.

“Eu acredito que o fato de a gente não retomar as receitas da época do IPO não é por conta do concorrente, mas sim por conta do mercado. O mercado brasileiro está muito longe daquilo que era na época do IPO, assim como o mercado americano não está também no patamar que estava em 2019, 2020”, avaliou Negrão. “Então, eu acho que a gente não vê os números que a gente viu na época do IPO mais pelo mercado do que por uma concorrência”, concluiu.

Resultados

No segundo trimestre de 2026, a Aeris Energy registrou prejuízo de R$ 152 milhões, reduzindo as perdas de R$ 159,8 milhões reportadas um ano antes. A receita operacional líquida ficou em R$ 129,3 milhões, com redução de 46,6% em um ano. A margem bruta foi de 7,6%, contra -1,4% no mesmo período de 2025.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) foi de R$ 16,7 milhões negativos, contra R$ 62,4 milhões negativos registrados um ano antes.

A produção foi de 78 MW no segundo trimestre de 2026, com redução de 54,6% em relação ao registrado há um ano. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, entretanto, houve aumento de 13% na potência produzida.

Fonte: megawhat.uol.com.br

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