A disputa do CVaR: o que cada agente defende

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A consulta externa do Comitê Técnico PMO/PLD que discutiu a calibração do CVaR a partir de 2027 recebeu 46 contribuições, com posições divididas entre a manutenção dos parâmetros atuais e diferentes propostas de redução. 

O CVaR é o mecanismo que dá peso maior aos piores cenários hidrológicos simulados e influencia o despacho térmico, a preservação dos reservatórios e a formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

O par vigente desde janeiro de 2025 é o 15/40, que atribui 40% de peso à média dos 15% piores cenários hidrológicos considerados na otimização dos modelos.

A MegaWhat analisou as 46 contribuições e os argumentos apresentados em cada uma delas.

Parte dos agentes defende a manutenção desse desenho, sob o argumento de que reduzir a aversão ao risco pode comprometer a segurança operativa e gerar custos futuros via encargos e despachos corretivos.

Outro grupo sustenta que a redução para 15/35, 15/30 ou 15/25 pode diminuir o custo da geração térmica sem comprometer os critérios de segurança dos estudos, e afirma que o conservadorismo atual estaria produzindo despacho térmico preventivo acima do necessário, com impacto sobre o PLD e a conta dos consumidores.

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A decisão cabe ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que deve apreciar o tema na reunião ordinária de amanhã, 13 de maio. Caso aprovadas, as alterações começam a valer em janeiro de 2027.

O que está em jogo

A discussão trata do custo da segurança energética. Maior aversão ao risco significa mais peso aos cenários hidrológicos críticos, o que tende a preservar água nos reservatórios e acionar termelétricas de forma preventiva, com mais segurança em caso de piora das chuvas e mais custo no curto prazo. A redução produz o efeito inverso, com menos despacho térmico preventivo e alívio no PLD e nos custos de operação.

Para quem defende a manutenção, o risco é o sistema operar com menos armazenamento e precisar depois recorrer a despachos fora da ordem de mérito, repassados via encargos. Já para quem defende a redução, o conservadorismo do 15/40 estaria gerando custos relevantes que se materializam no presente, tanto pelo acionamento de térmicas quanto pelos efeitos no PLD, sem que isso seja proporcional ao ganho de segurança obtido. 

Esse grupo argumenta ainda que o quadro de oferta para 2027, com a entrada de novas usinas contratadas, não justificaria manter o mesmo grau de aversão calibrado em ciclos anteriores.

A divergência também se estende às premissas dos estudos do ONS e da CCEE. As contribuições questionam o tratamento da geração fora da ordem de mérito (Gfom), o limite de 50 iterações nas simulações, a ausência das usinas contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) na modelagem oficial e a forma de medir a aderência à Curva Referencial de Armazenamento (CRef).

Quem defende manter o 15/40

Defendem a manutenção do par vigente: Associação Brasileira de Empresas Geradoras (Abrage), Associação Brasileira de Geradores Termelétricos (Abraget), Axia Energia, BP Comercializadora, Copel, CPFL, EDP, Engie, CTG Brasil, Alupar e Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine).

A Abrage argumenta que o 15/40 é necessário para ampliar o armazenamento e critica o uso de Gfom nos cálculos, por entender que isso pode beneficiar pares menos avessos ao risco. 

A Axia, com base em parecer da Envol Global Energy Consulting, sustenta que a redução do CVaR pode transferir para encargos posteriores custos hoje internalizados na operação, enquanto a Engie afirma que a mudança pode distorcer sinais econômicos de expansão. A Copel defende cautela e aponta compatibilidade do 15/40 com o modelo de expansão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Quem defende 15/30

A proposta de redução para 15/30 reúne o maior número de agentes na consulta. Aparecem nessa posição: Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (Abeeólica), Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Casa dos Ventos, Cemig, Confederação Nacional da Indústria (CNI), Comerc, Conselho de Consumidores da Cemig, Delta Energia, Echoenergia, Mangue Seco 2, Matrix Energia, Minerva Energy, Newcom Energia, Safira, Serena, Tradener, Ultragaz, Urca, Ágora Energia, Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), D3 Trading, Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), Bem Energia, Tria, Neoenergia, Kroma e Electra, além do parecer da Volt Robotics, que foi arquivado separadamente na consulta.

A Abraceel defende o 15/30 como proposta principal e o 15/35 de forma subsidiária. Com base no estudo da Volt Robotics, a associação estima que a adoção do 15/30 poderia gerar economia de R$ 5,4 bilhões em custo de geração térmica e redução tarifária próxima de 1%. 

A Comerc, que também defende o 15/30, aponta problemas de convergência no modelo oficial, enquanto Abrace e CNI sustentam que o parâmetro equilibra redução de custo e critérios de segurança. 

Agentes do segmento renovável como Abeeólica, Casa dos Ventos e Echoenergia associam o conservadorismo atual a custos estruturais maiores no sistema e a efeitos sobre a geração renovável.

Quem defende o CVaR 15/35

Aliança Energia, Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Safra Energia e Spic Brasil defendem o 15/35. O argumento se apoia no fato de esse par ter sido o primeiro a atingir 100% de aderência à CRef nos estudos apresentados. 

O Safra afirma que o 15/35 atende aos critérios de segurança com menor impacto tarifário e inflacionário, e a Anace classifica o par como alternativa adequada no momento. Aliança e Spic sustentam que a redução em relação ao 15/40 não compromete a segurança do sistema.

Ampere propõe 15/25

A Ampere Consultoria apresentou a proposta de maior redução, com adoção do 15/25. Para a consultoria, a entrada das novas térmicas contratadas no LRCap eleva a segurança do sistema e justificaria uma calibração menos conservadora.

Fonte: megawhat.uol.com.br

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