Quem certifica quem instala energia solar?

Quem certifica quem instala energia solar?

Setor cresceu rapidamente, mas qualificação e rastreabilidade de quem executa instalações não avançaram no mesmo ritmo

Quando um telhado desaba durante ou depois da instalação de um sistema fotovoltaico, a imagem da energia solar inevitavelmente aparece no centro da notícia. As causas de cada acidente precisam ser investigadas tecnicamente.

Não é correto atribuir automaticamente a responsabilidade aos painéis solares sem uma perícia conclusiva. Mas também não podemos tratar episódios dessa natureza como fatalidades isoladas e seguir adiante sem fazer uma pergunta incômoda: quem garante que o profissional responsável pela instalação realmente está preparado para executar o serviço?

O setor solar brasileiro cresceu em número de empresas, instalações e trabalhadores. Entretanto, a formação, a supervisão e o controle de qualidade não acompanharam esse avanço na mesma velocidade.

Profissionais e empresas qualificadas passaram a disputar espaço com prestadores que reduzem preços eliminando justamente as etapas que o consumidor não consegue enxergar: análise prévia da cobertura, planejamento, documentação, segurança, supervisão técnica e verificação final da instalação.

O consumidor, na maioria das vezes, não possui instrumentos para diferenciar quem concluiu apenas um treinamento básico de quem realmente demonstrou competência para trabalhar sobre um telhado, interpretar um projeto e identificar uma condição de risco.

Existem exigências de segurança e instrumentos de responsabilidade técnica. Tudo isso é necessário, mas não resolve completamente o problema. O Brasil ainda não possui um padrão nacional, específico e facilmente verificável de certificação dos profissionais que executam instalações fotovoltaicas.

A consequência é uma lacuna entre frequentar um curso e comprovar que se está efetivamente apto a realizar o serviço. Essa discussão não pode ser confundida com a criação de mais burocracia ou com uma tentativa de reserva de mercado.

Também não se trata de substituir engenheiros, técnicos, conselhos profissionais ou documentos de responsabilidade técnica. Trata-se de proteger o consumidor, valorizar quem trabalha corretamente e impedir que a expansão da energia solar seja acompanhada pela normalização da improvisação.

Uma instalação fotovoltaica não é uma simples montagem de equipamentos. Ela interfere na estrutura e no sistema elétrico de um imóvel e permanecerá ali por décadas. Em igrejas, hospitais, escolas, supermercados, galpões e outros locais de grande circulação, uma falha pode colocar muitas pessoas em risco.

Mesmo assim, continuamos permitindo que o próprio consumidor seja o primeiro fiscal da qualificação de quem contrata — ainda que ele não tenha conhecimento técnico para exercer essa função.

O setor precisa começar a discutir uma certificação capaz de representar competência real, e não apenas a entrega de mais um documento. Os critérios, a forma de avaliação, a responsabilidade das instituições envolvidas e a relação desse mecanismo com as exigências já existentes ainda precisarão ser construídos.

Reconhecer essa fragilidade não enfraquece a energia solar. Ao contrário, é uma forma de proteger sua reputação e garantir que o crescimento do mercado seja acompanhado por segurança, profissionalismo e confiança.

A pergunta, portanto, já não é se o setor precisa avançar nessa direção.A pergunta é quantos novos alertas ainda serão necessários para que essa discussão seja tratada como prioridade.

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Fonte: inelbrasil.org

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