Lula e Alcolumbre trocam elogios e defendem exploração da Margem Equatorial

Davi Alcolumbre recebe Lula em abril de 2025.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a visita ao poço Morpho, na costa do Amapá, para fazer uma defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial. Ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do governador do Amapá, Clécio Luís (União), Lula afirmou nesta segunda-feira, 17 de agosto, que a decisão de avançar com a prospecção atendeu aos interesses do país.

“Isso aqui pode se chamar passaporte para o futuro desse país”, afirmou Lula, após visitar a sonda utilizada na perfuração do poço. O presidente associou a continuidade da exploração à necessidade de fortalecer a Petrobras e garantir novas fontes de petróleo para o país, sem abandonar a transição para fontes menos poluentes.

Lula também retomou a controvérsia em torno do licenciamento ambiental da atividade. Segundo ele, houve pressão para que o governo evitasse anunciar o avanço da exploração às vésperas da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP), realizada no Brasil no ano passado.

“Eu tomei a decisão de anunciar antes da COP que a gente ia fazer a prospecção aqui. Porque o que estava em jogo eram os interesses do país e os interesses da nossa empresa”, disse.

A exploração de petróleo na região foi alvo de uma longa disputa ambiental. A licença para a Petrobras perfurar o bloco FZA-M-59 foi concedida pelo Ibama em outubro de 2025, após mais de dez anos de tratativas. Entidades ambientais questionam os riscos da atividade em uma área considerada sensível e seus possíveis impactos sobre comunidades da região.

No discurso desta segunda-feira, Lula afirmou que a visita à sonda reforçou sua avaliação sobre a segurança da operação e voltou a defender que a exploração pode coexistir com os compromissos ambientais do país.

“Eu não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível fóssil”, afirmou. Segundo o presidente, o Brasil deve continuar investindo em biocombustíveis e fontes renováveis ao mesmo tempo em que desenvolve suas reservas de petróleo.

Alcolumbre também fez uma defesa enfática do projeto e atribuiu a Lula papel central para que a Petrobras conseguisse avançar com a exploração no Amapá. O presidente do Senado agradeceu ao presidente por ter, segundo ele, enfrentado resistências ao projeto.

“Na minha condição de amapaense, de presidente do Congresso Nacional: muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que este projeto chegasse no dia de hoje com essa descoberta feita pela Petrobras”, afirmou.

O presidente do Senado também criticou pressões externas contra a exploração e disse que cabe ao Brasil decidir sobre o aproveitamento de seus recursos naturais.

O governador Clécio Luís, por sua vez, afirmou que o governo acertou ao não postergar o licenciamento por causa da realização da COP.

“O presidente Lula está certo, o Brasil está certo”, disse Clécio. Segundo ele, adiar uma licença cujos requisitos já estivessem cumpridos poderia ser interpretado como uma tentativa de esconder a decisão durante a conferência. “Nós falamos a verdade para o Brasil e falamos a verdade para o mundo.”

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, também vinculou a campanha exploratória à necessidade de recomposição das reservas brasileiras. Segundo ela, cerca de 80% da produção nacional de petróleo vem hoje do pré-sal, que deve atingir seu pico por volta de 2034 ou 2035.

“Não tem futuro para uma empresa de petróleo sem exploração”, afirmou. Magda disse que os resultados obtidos até agora no Amapá confirmam as expectativas da companhia para a região, mas ressaltou que ainda não é possível estimar o tamanho da acumulação encontrada.

A descoberta da Petrobras

A Petrobras anunciou na sexta-feira, 14, a descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. A descoberta ainda não representa uma declaração de comercialidade, e a estatal terá de continuar os estudos para determinar o volume de petróleo e a viabilidade de produção.

“Tem petróleo, tem descoberta, a gente ainda não sabe quanto”, resumiu Magda. A companhia pretende concluir a perfuração do Morpho nas próximas semanas e seguir com a avaliação da área.

Durante entrevista coletiva após o evento, a Petrobras informou que já gastou cerca de US$ 300 milhões na perfuração do Morpho. O cálculo considera aproximadamente 300 dias de operação da sonda, a um custo médio de US$ 1 milhão por dia.

A companhia informou ainda ter investido cerca de R$ 150 milhões na estrutura de proteção ambiental montada para a campanha, incluindo centros de atendimento à fauna, embarcações, aeronaves e outras estruturas de resposta a emergências.

A Petrobras ainda aguarda autorização ambiental para perfurar outros três poços no FZA-M-59. A estatal recebeu um novo parecer técnico do Ibama em 10 de agosto e informou ter apresentado na última sexta-feira informações complementares solicitadas pelo órgão.

‘Descoberta não surpreende’, diz Arayara sobre Foz do Amazonas

O Instituto Arayara, entidade de defesa socioambiental, avalia que a descoberta, pela Petrobras, de hidrocarbonetos no blocp FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, “não surpreende” em função dos esforços e investimentos empregados nesta campanha. “Foram anos de pesquisas, mapeamentos e investimentos”, diz o Arayara em nota.

A entidade criticou a “pressão política” que afirma ter existido no caso, e lembra que, em 2023, áreas técnicas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) haviam recomendado a rejeição do pedido de licença de operação. “Preocupa que um processo que deveria ser essencialmente técnico tenha sido submetido a sucessivas pressões políticas pela abertura de uma nova fronteira de petróleo na Margem Equatorial”, avalia o Arayara.

Para Juliano Bueno, presidente da entidade ambiental, a eventual existência de petróleo na região não afasta os riscos ambientais nem as contradições com a agenda de descarbonização do país. “O Brasil precisa discutir que modelo de desenvolvimento pretende construir, em vez de transformar cada nova descoberta em argumento para prolongar a era dos combustíveis fósseis”, diz Juliano Bueno.

Organizações da indústria de óleo e gás, por sua vez, celebraram a descoberta da Petrobras. “O achado confirma que o Brasil possui perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões, reforçando a segurança energética nacional no médio e longo prazo”, declarou em nota o Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

Para Thelmo Ghiozi, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPip), a descoberta representa um avanço para a segurança energética e para o desenvolvimento socioeconômico do país. O executivo, entretanto, pontua que “ainda há muito a fazer”.

Fonte: megawhat.uol.com.br

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