
Menos de 48 horas depois da publicação da portaria do Ministério de Minas e Energia (MME) que regulamenta o ressarcimento dos cortes de geração de energia, a francesa Voltalia contabilizou nos resultados do segundo trimestre de 2026 a adesão ao mecanismo, o que resultou em um impacto positivo de 29 milhões de euros no seu Ebitda (resultado antes dos juros, impostos, depreciação e amortização).
A companhia calcula que vai receber R$ 175 milhões em compensações pelos cortes em geração eólica e solar de suas usinas no período entre setembro de 2023 e novembro de 2025, no contexto da Lei nº 15.269/2025. O montante foi contabilizado no balanço não-auditado da companhia do segundo trimestre de 2026, considerando um câmbio de R$ 6,01.
A empresa reconheceu 17 milhões de euros como receita adicional e 12 milhões de euros como redução de custos operacionais, gerando o impacto positivo total de 29 milhões de euros no Ebitda.
“A Voltalia concluiu sua decisão sobre a adesão ao mecanismo previsto pela lei brasileira n° 15.269/2025 (…). Depois de muitos meses de esclarecimentos regulamentares e técnicos conduzidos com Ministério de Minas e Energia [MME], assim como com associações profissionais, as incertezas relacionadas à aplicação do mecanismo foram sanadas”, diz o comunicado da empresa sobre os resultados do segundo trimestre. A portaria com as regras sobre os cálculos de compensação foi divulgada pelo MME na noite de terça-feira, 21 de julho, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
O lançamento contábil não tem efeito no caixa, ou seja, não representa um dinheiro que já entrou, mas sim um direito a receber no futuro, ainda que o pagamento dependa das etapas previstas na portaria, o que melhora o resultado reportado do período. Isso ocorre porque a contabilidade registra receitas e custos quando o direito é considerado certo, e não quando o dinheiro circula. O efeito no caixa vem depois, quando a compensação for efetivamente liquidada.
Aumento da receita
Com a compensação, a receita de vendas de energia da Voltalia alcançou 118,2 milhões de euros no trimestre, com avanço de 46% em relação ao mesmo período de 2025 (ou 40% considerando o câmbio ajustado). Sem a compensação pelo curtailment, as receitas ajustadas teriam aumentado cerca de 25%, diz a Voltalia. Além da compensação pela lei nº 15.269/2025, a energia de novos projetos que entraram em operação no fim de 2025 colaborou para o aumento nas vendas.
A divisão de serviços Renvolt registrou 69,6 milhões de euros em receita, com avanço de 26% em um ano. Já a divisão Voltalia Hub teve receita de 10,2 milhões de euros, um crescimento de 37% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Assim, a empresa alcançou receita total de 198 milhões de euros no 2T26, com crescimento de 38% em um ano. A Voltalia destaca que o resultado vem após um aumento de 25% no primeiro trimestre de 2026.
No comunicado de resultados do trimestre, a Voltalia também reafirma seus objetivos financeiros para 2026 de resultado líquido financeiro e Ebitda entre 210 milhões de euros e 230 milhões de euros, sendo a maior parte com origem em venda de energia.
A empresa revisou o início de construção de alguns projetos como forma de manter a disciplina operacional e financeira. Com isso, o objetivo de capacidade instalada para 2026 passa de 3,7 GW para 3,6 GW, “com manutenção estrita dos objetivos financeiros anuais do grupo”.
Geração de energia cai no Brasil
No trimestre, a Voltalia produziu 1.303 GWh de energia, contra 1.257 GWh produzidos no mesmo trimestre de 2025, o que representou alta de 3,7%. Os cortes caíram 42% no período, a 105 GWh, contra 181 GWh no segundo trimestre de 2025.
No Brasil, a produção foi de 669 GWh, contra 804 GWh produzidos um ano antes, com queda de 16,8%. A empresa registra que a produção no país foi afetada por recursos eólicos menos favoráveis, e que os cortes de geração caíram em volume em relação ao ano anterior, mas ainda representam 14% da produção total brasileira.
“No Brasil, os valores absolutos do curtailment abaixaram, mas continuam sendo uma proporção importante da produção, considerando que a geração também diminuiu”, diz o comunicado da empresa.
Capacidade instalada
A Voltalia encerrou o trimestre com capacidade instalada de 2.962 MW, com crescimento de 17,4% em um ano. No Brasil, a capacidade em junho de 2026 estava em 1.584 MW, montante 3,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025.