
Os cortes de geração de usinas eólicas e solares centralizadas provocados por excesso de oferta de energia podem alcançar até 40 GW anualmente no período entre 2027 e 2030, segundo projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A estimativa faz parte dos estudos do Plano da Operação Energética 2026-2030, que avaliou diferentes cenários de demanda, geração renovável e condições operativas do Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo o ONS, os cortes foram divididos em duas categorias: energéticos, quando há mais oferta de geração disponível do que demanda por energia, e por confiabilidade, quando a geração existente não consegue ser totalmente escoada pela rede de transmissão devido às restrições operativas do sistema.
Horários de maior geração
De acordo com o operador, os cortes energéticos devem ocorrer com maior intensidade e frequência nos próximos anos devido ao aumento da oferta de energia renovável no Brasil. A expectativa é que esses eventos sejam mais comuns entre 7h e 15h, período em que há maior disponibilidade de geração solar e eólica.
Os domingos devem concentrar os maiores níveis de cortes, devido ao menor consumo de energia elétrica. Além disso, os cortes também seguiram mais intensos em anos de maior safra de ventos, o que inclui os meses de agosto, setembro e outubro.
Apesar da possibilidade de cortes elevados, o ONS estima uma redução da frequência dos eventos ao longo do horizonte analisado. Em 2027, os cortes devem ocorrer em, aproximadamente, 19% das horas do ano, percentual que tende a cair para 14% das horas em 2030.
Já as restrições associadas à confiabilidade do sistema devem apresentar menor recorrência, passando de 7% das horas em 2027 para 4% das horas em 2030.
Crescimento da demanda e expansão da transmissão podem reduzir cortes
A projeção do ONS indica que os cortes médios podem apresentar redução entre 2027 e 2030, resultado principalmente da combinação de três fatores: crescimento da demanda, expansão da rede de transmissão e desaceleração do ritmo de entrada de novas usinas eólicas e solares centralizadas.
Para 2027, a estimativa é de cortes totais entre 3 GW e 3,5 GW, com cortes de confiabilidade ocorrendo principalmente no mês de setembro, da ordem de 500 MW médios. Já para 2030, a projeção indica uma redução para patamares entre 2 GW e 2,3 GW, com corte por confiabilidade também reduzindo para 240 MW médios.
No entanto, o operador ressalta que os valores representam uma estimativa conservadora, considerada como um limite inferior dos cortes esperados. Durante a operação em tempo real, os eventos podem ser superiores devido a fatores como despacho térmico adicional e condições específicas do sistema.
Segundo o ONS, a redução estrutural dos cortes dependerá do crescimento da demanda acima das projeções atuais ou da adoção de novas soluções tecnológicas capazes de armazenar energia e deslocar o excedente de geração para períodos de maior consumo.
Entre as alternativas avaliadas estão os sistemas de armazenamento por baterias (BESS) e as usinas hidrelétricas reversíveis, que poderiam ampliar a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro.
Base da análise de cortes
Foram considerados seis cenários de demanda para as projeções de curtailment, com variações mensais e anuais, incluindo situações de carga máxima, dias úteis típicos, sábados e domingos.
Cada cenário recebeu uma probabilidade de ocorrência baseada no calendário. Além dos cenários de carga, o estudo analisou 30 cenários mensais combinados de fatores de capacidade das fontes eólica e fotovoltaica, utilizando dados históricos verificados e recompostos de geração.
Também foram analisados diferentes cenários de demanda, geração centralizada eólica e fotovoltaica, além da participação da micro e minigeração distribuída (MMGD), pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e pequenas centrais termelétricas.