Diamante realiza primeiro teste com carvão híbrido

Estoque de Carvão da UTE Jorge Lacerda, da Diamante Energia - Crédito: Agência Alesc

A Diamante Energia realizou, na usina de Pecém, o primeiro teste industrial de um combustível produzido a partir da casca de coco. Transformada em biocarvão e misturada ao carvão mineral, a biomassa foi utilizada na caldeira da unidade geradora UG1, de 360 MW, levando para a operação uma tecnologia que vinha sendo desenvolvida e aperfeiçoada em laboratório.

O teste é resultado de um projeto de pesquisa iniciado em 2024, na usina de Pecém, em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (UECE). A iniciativa integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e busca avaliar a viabilidade técnica do uso de biocarvão como substituto parcial do carvão mineral na geração termelétrica.

Segundo a Diamante, levar essa pesquisa à operação é uma etapa fundamental. Os resultados obtidos em laboratório precisam ser confrontados com as condições reais de uma usina, onde segurança, desempenho e confiabilidade são requisitos indispensáveis.

O Ceará está entre os maiores produtores de coco do Brasil, mas a destinação da casca que sobra após a extração da água ainda é um desafio. Parte desse resíduo acaba descartada inadequadamente ou acumulada nas áreas de produção, gerando custos e problemas ambientais.

Da pesquisa à aplicação industrial

O projeto é o primeiro PDI Aneel da universidade e que permitiu estruturar uma planta piloto de processamento de biomassa residual, pioneira entre as instituições públicas do estado. A parceria também contribuiu para a formação de pesquisadores e estudantes e para a produção de trabalhos científicos.

Desde o início das atividades, foram processadas aproximadamente 13.200 cascas de coco, equivalentes a cerca de 20 toneladas de biomassa. Os processos de preparação e conversão permitiram produzir pellets, aproximadamente 1,5 tonelada de biocarvão e 2.380 litros de bio-óleo.

No teste realizado em 14 de outubro, foram utilizadas aproximadamente 150 toneladas de combustível, sendo 148,5 toneladas de carvão mineral e 1,5 tonelada de biocarvão, correspondentes a 1% da mistura em massa. A operação permitiu coletar dados para avaliar o comportamento do combustível nos sistemas de moagem e alimentação da caldeira, a estabilidade da combustão, as características das cinzas e os possíveis impactos sobre as emissões atmosféricas.

Com o teste realizado, o projeto avança para a análise dos dados operacionais, que permitirá avaliar o comportamento da mistura, identificar eventuais ajustes e orientar a continuidade dos estudos.

Fonte: megawhat.uol.com.br

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