Conta de luz pode aumentar se EUA barrarem exportação de diesel

Conta de luz pode aumentar se EUA barrarem exportação de diesel

O setor elétrico brasileiro acendeu um alerta, na última terça-feira (22), depois do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis restrições às exportações americanas de diesel. A atenção acontece porque, se a medida for confirmada, pode haver um encarecimento global de insumos energéticos. É o que chamamos de efeito cascata. Uma barreira à exportação americana pode provocar um encarecimento da geração de energia no Brasil.

De acordo com o Instituto Nacional de Energia Limpa (INEL), o Brasil importa cerca de um quarto do diesel consumido. Com relação à conta de luz, essa dependência é sentida, principalmente, de duas formas.

O presidente do Inel, Heber Galarce, explica que o primeiro motivo está relacionado ao uso de usinas termelétricas a diesel. Ele fala que, quando o nível das hidrelétricas brasileiras cai em períodos de seca, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aciona as usinas termelétricas. Muitas delas funcionam queimando óleo diesel. “Nesse cenário, o preço mais alto do combustível gera o primeiro possível impacto na conta de luz”, complementa.

O aumento dos custos de geração pode repercutir na conta de luz, conforme as condições do sistema e as regras tarifárias. A cor das bandeiras tarifárias, definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), não muda automaticamente em razão do preço do diesel.

O segundo motivo é a possibilidade de substituição de combustíveis onde houver condições para isso. Heber explica que, se o diesel internacional encarecer ou faltar, pode haver maior procura por outras fontes, como o gás natural liquefeito (GNL). Caso isso pressione os preços do gás no mercado internacional, também poderá elevar os custos das termelétricas a gás no Brasil.

Heber acredita que o Brasil precisa ser menos dependente de fontes fósseis de energia. “Além de poluirem mais, precisamos ter uma outra opção. O Inel trabalha bastante para o crescimento das fontes renováveis de energia e a utilização de baterias para fazer o armazenamento adequado”, disse.

Entenda a polêmica

Na última terça-feira (22), o secretário americano do Tesouro, Scott Bessent, informou que o governo dos EUA avalia a viabilidade de uma proibição total ou parcial da exportação de diesel. De acordo com Scott, a decisão ainda não foi tomada e o que vai acontecer depende da capacidade de refino do país.

O preço do combustível tem disparado devido à guerra no Oriente Médio. Nesta semana, a média nacional do diesel nos Estados Unidos chegou a 6,53 dólares o galão, recorde da série da AAA e quase 3 dólares acima do patamar de um ano atrás. No estado da Califórnia, o valor já passava de 8,40 dólares o galão.

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Fonte: inelbrasil.org

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