Confiabilidade de data centers com renováveis depende de arquitetura do projeto, diz Axia

Data Center

A Axia Energia avalia que a energia renovável pode ocupar a “centralidade” de projetos de data center, e que a confiabilidade do abastecimento pode ser garantida pela arquitetura de cada projeto.

A defesa vem após a sanção do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). Inicialmente centrada em abastecimento por energia renovável, a política foi aprovada admitindo também fontes “de baixa emissão”, o que pode abrir caminho para abastecimento a combustíveis como gás natural. Uma portaria interministerial deverá determinar que fontes poderão ser enquadradas nesta definição, para o Redata.

“Somos uma empresa de energia renovável e defendemos que a energia renovável seja preferencialmente a energia da centralidade. A confiabilidade é um tema importante e hoje para você conseguir confiabilidade existem várias arquiteturas possíveis, depende muito da técnica”, disse o vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Axia Energia, Juliano Dantas.

O debate sobre o uso de renováveis nestes projetos reside, principalmente, no fato de que sistemas de data center precisam de fornecimento contínuo, enquanto a geração renovável é intermitente.

Apesar da possibilidade de inclusão de gás natural no Redata, Dantas vê a sanção da política como positiva para o desenvolvimento do setor de data centers no Brasil. “Estamos indo na direção correta, é isso o que temos que celebrar agora”, disse.

Como próximos passos, Dantas indica avanços regulatórios, como sinais de preço corretos para a concretização de investimentos e planejamento da rede. “À medida que essa carga vem, vai demandar mais geração e mais ativos de grid para garantir estabilidade. Tudo isso precisa ser orquestrado”, diz.

Para o executivo, a “alocação inteligente” dessas grandes cargas poderá trazer benefícios a todos os usuários, com mais compartilhamento dos custos da infraestrutura.

A própria instalação de grandes cargas, entretanto, pode demandar novos investimentos em infraestrutura, alguns dos quais são divididos entre todos os usuários, de forma proporcional à carga, como as Receitas Anuais Permitidas (RAPs) de transmissoras.

Dantas destacou iniciativas da Axia, como projetos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), para avançar no conhecimento sobre a interação entre a rede e grandes cargas.

“A Axia faz o dever de casa de entender onde o grid pode se beneficiar de cargas como essa, como isso pode ser instalado de forma que seja eficiente e seguro para a própria carga, com qualidade e confiabilidade de um lado, e, do outro, como que o grid se comporta com a carga dessa natureza”, afirmou o vice-presidente de Tecnologia e Inovação da companhia.

As declarações ocorreram durante o evento TechGrid 2026, realizado pela Axia nesta quarta-feira, 16 de setembro, no Rio de Janeiro.

Planejamento para a entrada de grandes cargas

No mesmo evento, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, comentou o planejamento de entrada de grandes cargas no sistema elétrico brasileiro.

Diante de projetos que podem chegar a 5 GW, o presidente da EPE afirmou que o processo de recomendação de acesso de empreendimentos inclui um estudo de como o sistema se comporta em caso de perda desta carga.

“Essas perdas são estudadas dentro do processo de acesso, para que a gente tenha a segurança de como gerenciar a repercussão da perda da carga”, disse o presidente da EPE.

Ele indicou que a situação representa uma mudança de paradigmas no planejamento: “Antigamente, a gente se preocupava com a perda da maior usina, como é que o sistema se comporta, se ele fica de pé ou não. Com a evolução dessas cargas, agora não é mais só a perda da maior usina, vou ter que me preocupar com a perda da maior carga, talvez”, avaliou.

Prado também identifica que há um movimento de arbitragem entre empreendedores de projetos eletrointensivos, que se aproveitam da diferença de regulação para conexão de cargas nas redes de distribuição, que não exigem aporte de garantias, e na rede de transmissão, que segue o rito da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), com aporte de garantias.

A EPE oficiou o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), solicitando a harmonização de regras para evitar a duplicidade.

Carga crescente para data centers

No evento da Axia Energia, o sócio de IA e Dados para Recursos Energéticos da Deloitte, Flávio Loução, apresentou números sobre o crescimento do consumo de energia por data centers e inteligência artificial (IA)

Segundo o executivo, o consumo global de data centers em 2026 deve ficar em 565 TWh, montante 26% superior ao registrado em 2025. Para 2027, o consumo deve saltar mais 24%, a 702 TWh. Considerando todo o consumo para data centers, a poção destinada à IA também tem tendência de crescimento: em 2026, deve ser de 31%, com projeções de que supere os servidores convencionais no próximo ano.

Loução avalia que o Brasil tem vantagens na atração de projetos de data centers, como a disponibilidade energética renovável e potencialmente competitiva, conectividade e proximidade com mercados consumidores de dados, mercado interno escalável, estabilidade geológica (livre de riscos como terremotos) e estabilidade política.

*Nota atualizada às 12h41 para inclusão das informações apresentadas pela Deloitte.

Fonte: megawhat.uol.com.br

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