
Apesar de projetar que a geração renovável será necessária para o país, a Petrobras avalia que a rentabilidade de alguns projetos ainda não viabiliza a sua realização.
“Alguns desses projetos ainda não cabem no bolso da sociedade brasileira, não têm o retorno esperado pelos investidores, sejam eles a Petrobras ou as grandes empresas do petróleo que investem nessa transição”, disse Magda Chambriard em painel da ROG.e nesta quinta-feira, 24 de setembro, no Rio de Janeiro.
Mesmo assim, a companhia mantém a meta de 1,7 GW em projetos de geração renovável até 2030, como consta em seu Plano de Negócios 2026-2030. “Tudo o que está no nosso plano de negócios cabe”, disse a presidente da companhia, Magda Chambriard. O montante do plano de negócios 2026-2030 representou uma redução de 62,2% em relação ao plano divulgado no ano anterior.
Para tornar os projetos renováveis mais rentáveis, a companhia aposta em pesquisa e desenvolvimento. “Nós vamos fazer na transição energética a mesma coisa que fizemos no pré-sal: no primeiro momento parecia que não era econômico, e depois se tornou uma mina e um grande contribuinte do fluxo de caixa livre da Petrobras. Então, é isso que nós vamos fazer agora com todo o desafio que nós temos pela frente da transição energética”, garantiu Chambriard.
A executiva mencionou o Cenpes (centro de pesquisas, desenvolvimento e inovação da Petrobras) como caminho para tornar os projetos de geração renovável mais eficientes.
No fim de 2025, a Petrobras divulgou acordo para comprar 49,99% da operação da Lightsource BP no Brasil. Na ocasião, a companhia tinha em operação a usina fotovoltaica de Milagres (212 MWp), no Ceará, e cerca de 1,5 GW em projetos em estágio avançado de desenvolvimento. A Lightsource tem, entretanto, enfrentado problemas de conexão para 810 MW em geração solar.
Biocombustíveis e geração térmica
Chambriard voltou a declarar que a Petrobras pretende manter sua participação de um terço na geração primária de energia do Brasil em 2050, quando o país deverá ter demanda de energia 50% maior, segundo as projeções da petroleira.
“Só que eu lido com o produto que é não renovável, ou seja, um produto que vai chegar num pico de produção e vai declinar”, disse a presidente da Petrobras. Este declínio deverá ser mitigado com novas fronteiras, desenvolvimento de áreas já descobertas, mas também com geração renovável e biocombustíveis.
Segundo Chambriard, dos 31% de participação na matriz energética brasileira que a Petrobras pretende ter em 2050, “entre 8% e 10%” deve ser com fontes renováveis.