Petrobras não é ‘bicho-papão’ do mercado ao comprar gás de terceiros, diz Magda

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, na ROG.e 2026

Em mais uma crítica à proposta da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para o gas release, que inibe a compra de gás de terceiros pela Petrobras, a presidente da estatal, Magda Chambriard, declarou que a viabilidade de projetos ricos em gás natural, como Raia e Sergipe Águas Profundas (Seap), passou pela garantia de compra da molécula pela Petrobras.

“Quando a gente compra o gás de parceiro, nós não estamos atentando contra o mercado, nós compramos para viabilizar negócios”, disse Chambriard nesta quinta-feira, 24 de setembro, durante a ROG.e, no Rio de Janeiro. “A gente não compra gás à revelia, a gente compra gás quando o vendedor tem interesse de vender. (…) Às vezes eu escuto comentários que parece que a Petrobras é um bicho-papão que está ali disposta a acabar com o mercado alheio e absolutamente não é isso”, concluiu a executivas a jornalistas, após o painel.

Segundo Chambriard, o mesmo aconteceu com a descoberta ocorrida na Colômbia, em parceria com a estatal local Ecopetrol. “A Ecopetrol garantiu à Petrobras a compra do gás para viabilizar o negócio. Nós não estamos inventando nada, isso é o dia a dia do negócio”, afirmou. “É corriqueiro comprar o gás quando um parceiro tem mais acesso ao mercado para viabilizar investimentos que são de bilhões de dólares”, disse a presidente da Petrobras.

O projeto de Seap I, localizado na Bacia Sergipe-Alagoas, inclui a concessão BM-SEAL-10 e BM-SEAL-11. A Petrobras detém 100% de BM-SEAL-10 e, em BM-SEAL-11, é operadora com 60% de participação em consórcio com a IBV Brasil Petróleo LTDA (40%), que é uma joint venture entre a estatal indiana Bharat Petroleum, por meio da Bharat PetroResources (BPRL), e o grupo indiano Videocon.

Já o Projeto Raia está localizado na Bacia de Campos e é operado pela Equinor (35%), em parceria com a Repsol Sinopec Brasil (35%) e a Petrobras (30%). Procurada pela MegaWhat para comentar se uma eventual restrição na compra de gás pela Petrobras pode impactar Raia, a Equinor afirmou que “reconhece a importância das discussões em andamento sobre o marco regulatório do mercado de gás natural no Brasil e busca contribuir de forma construtiva para esse equilíbrio por meio de projetos que tragam novas fontes de gás ao mercado brasileiro, como o projeto Raia”.

A proposta da ANP para o gas release está em consulta pública até o dia 28 de setembro, com audiência pública agendada para 21 de outubro.

Fonte: megawhat.uol.com.br

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