Baterias: ONS quer validar modelos apenas em grid-forming

Sala de operação do ONS

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou novas diretrizes para a validação dos modelos utilizados nos estudos de conexão e operação de usinas eólicas, solares e sistemas de armazenamento em baterias (BESS). Entre as mudanças, o operador prevê que os modelos de baterias sejam validados no modo grid-forming e permite que uma mesma validação seja aproveitada por diferentes projetos que utilizem equipamentos equivalentes.

As medidas buscam padronizar as informações fornecidas por fabricantes e empreendedores ao ONS, reduzir a necessidade de repetir procedimentos e melhorar a representação do comportamento dessas tecnologias nos estudos do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Com a expansão das fontes renováveis e das baterias, o operador considera necessário aperfeiçoar as ferramentas que simulam a resposta dos equipamentos a oscilações de tensão, frequência e outras perturbações na rede elétrica.

Os agentes e fabricantes poderão encaminhar dúvidas sobre os documentos até 10 de novembro. O ONS prevê publicar os esclarecimentos até 30 de novembro de 2026.

Validação de baterias em grid-forming

Uma das principais definições envolve os sistemas de armazenamento. Segundo o ONS, a validação dos modelos de baterias deverá ser realizada somente no modo grid-forming, tecnologia em que o equipamento pode estabelecer referências de tensão e frequência para a rede elétrica.

Já o modo grid-following, no qual o equipamento acompanha as referências existentes na rede, será considerado uma condição de operação degradada para fins desse processo, sem necessidade de entrega e validação de um modelo específico.

A determinação se refere à validação dos modelos matemáticos e não significa que todas as baterias deverão operar exclusivamente em grid-forming.

Os documentos também detalham como o comportamento das baterias deverá ser representado nas simulações. Os modelos precisarão considerar a capacidade de armazenamento, o nível de carga, os limites de carregamento e descarregamento e os sistemas de proteção.

Na prática, as simulações deverão reproduzir o que acontece quando a bateria se aproxima de seus limites operacionais, incluindo redução de potência, interrupção do carregamento ou descarregamento e mudanças no modo de operação.

Validação pode ser aproveitada em diferentes projetos

Outro ponto é que fabricantes e desenvolvedores não precisarão repetir todo o processo de validação para cada empreendimento que utilize uma mesma família de equipamentos.

De acordo com o ONS, a validação será realizada uma única vez por família, considerando o mesmo fabricante e a mesma versão do equipamento. Isso permitirá aproveitar os resultados em diferentes projetos, desde que atendidas essas condições.

O processo será dividido em dois níveis. No primeiro, chamado N1, o objetivo é verificar se o modelo matemático reproduz adequadamente o comportamento do equipamento real.

No segundo, N2, será avaliada a correspondência entre diferentes tipos de modelos utilizados nos estudos elétricos, garantindo que os resultados sejam compatíveis.

A validação também abrangerá os sistemas que controlam o funcionamento das usinas. Dependendo do nível de análise, os controladores poderão ser avaliados separadamente ou em conjunto com inversores e aerogeradores.

O ONS também padronizou os testes, relatórios e demais documentos que fabricantes e agentes deverão apresentar durante o processo.

Novas exigências para fabricantes

As diretrizes estabelecem requisitos mínimos para os modelos utilizados nos estudos elétricos, incluindo a representação dos sistemas de controle e proteção dos equipamentos.

Entre as exigências está a capacidade de reproduzir diferentes condições de funcionamento e perturbações na rede, permitindo ao ONS avaliar como as instalações responderiam a situações que possam afetar a segurança da operação.

Os modelos também deverão ser compatíveis com simulações que reúnam equipamentos de diferentes fabricantes e capazes de iniciar as análises em até três segundos. Quando esse prazo não puder ser atendido, será necessária justificativa técnica.

Para preservar informações industriais e tecnologias proprietárias, o operador permitirá o uso de modelos com partes protegidas, desde que isso não comprometa os estudos. Também poderão ser firmados acordos de confidencialidade.

Os fabricantes deverão manter o controle das versões dos modelos e comunicar alterações nos equipamentos que possam modificar seu comportamento em relação ao que foi apresentado ao ONS

Fonte: megawhat.uol.com.br

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