Geração distribuída representará 38% da expansão elétrica do Brasil até 2036

Geração distribuída / Divulgação EDP

A micro e minigeração distribuída (MMGD) deverá responder por cerca de 38% da expansão da capacidade instalada de geração elétrica brasileira até 2036, com acréscimo de 41,4 GW dos 110 GW previstos para o período. A projeção consta da minuta do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), colocada em consulta pública pelo Ministério de Minas e Energia (MME) nesta quinta-feira, 8 de outubro.

Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o planejamento prevê que a capacidade instalada total de geração elétrica passará de 272 GW em 2026 para 382 GW em 2036. A geração distribuída terá o maior crescimento individual entre as modalidades consideradas, impulsionada principalmente pela energia solar fotovoltaica, que deverá responder por 41,1 GW da expansão do segmento.

Com isso, a capacidade instalada de MMGD deverá aumentar de aproximadamente 50 GW para 92 GW no período. A participação dessa modalidade na geração total de eletricidade também deverá crescer, passando de 8,2% em 2026 para 10,9% em 2036.

Apesar do avanço da geração distribuída, as usinas centralizadas deverão concentrar a maior parcela dos investimentos previstos para o setor elétrico. Dos R$ 638 bilhões projetados para geração e transmissão entre 2027 e 2036, R$ 415 bilhões serão destinados à geração centralizada, R$ 96 bilhões à geração distribuída e R$ 127 bilhões à transmissão.

Na geração centralizada, o plano prevê a expansão de 14,2 GW em usinas eólicas e 9,5 GW em solares fotovoltaicas. Também estão previstos 21,1 GW em termelétricas não renováveis, incluindo empreendimentos contratados, recontratações de usinas existentes, modernizações e expansão indicativa.

Para as hidrelétricas, são considerados 4,6 GW em grandes usinas e ampliações de empreendimentos existentes, além de 4,7 GW em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e centrais geradoras hidrelétricas (CGHs).

O PDE também contempla 9,2 GW em sistemas de armazenamento, sendo 7,2 GW em baterias e 2 GW em usinas hidrelétricas reversíveis. Outros 4 GW poderão ser acrescentados por meio de mecanismos de resposta da demanda.

Esses recursos deverão contribuir para atender às necessidades de potência e flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), diante do crescimento das fontes renováveis variáveis e das mudanças no perfil de consumo.

Renováveis perdem espaço na matriz elétrica

Apesar da expansão prevista para as fontes eólica e solar, a participação das renováveis na geração elétrica brasileira deverá recuar de 90% em 2026 para 88,8% em 2036.

A redução ocorre em um cenário de crescimento da geração total e de mudança na composição da matriz. A participação das hidrelétricas deverá cair de 53,4% para 47,6%, enquanto eólicas e solares, juntas, ganharão espaço, passando de 28,1% para 33% da geração total.

Ao mesmo tempo, a participação das termelétricas não renováveis deverá aumentar de 8,4% para 8,9%, e a da geração nuclear, de 1,5% para 2,3%.

Embora percam participação relativa, as fontes renováveis continuarão ampliando sua geração em termos absolutos. O PDE projeta que a geração eólica alcançará 183 TWh em 2036, enquanto a solar chegará a 190 TWh.

A geração hidráulica, por sua vez, deverá atingir 539 TWh ao final do horizonte decenal.

Consumo de eletricidade crescerá 39%

A expansão da capacidade instalada acompanha a expectativa de crescimento de aproximadamente 39% no consumo total de energia elétrica no Brasil até 2036.

Segundo o PDE, o consumo deverá passar de 702 TWh em 2026 para 979 TWh em 2036, com crescimento médio de 3,4% ao ano.

Desse total, o consumo atendido pela rede elétrica, incluindo a micro e minigeração distribuída, deverá aumentar de 620 TWh para 878 TWh, enquanto a autoprodução não injetada na rede passará de 82 TWh para 101 TWh.

O crescimento será impulsionado pela expansão da atividade econômica, eletrificação de processos industriais, mobilidade elétrica, ampliação do acesso a equipamentos e serviços energéticos e instalação de novas grandes cargas, como data centers.

A participação da eletricidade no consumo final de energia do país deverá aumentar de 20% em 2026 para 23,3% em 2036.

Para atender à demanda, a geração total de eletricidade, incluindo autoprodução e geração distribuída, deverá crescer de 829,2 TWh para 1.132,5 TWh, com expansão média de 3,2% ao ano.

Transmissão terá R$ 127 bilhões em investimentos

O PDE estima R$ 127,1 bilhões em investimentos na expansão da transmissão de energia elétrica entre 2027 e 2036.

O planejamento prevê a construção de 31,9 mil quilômetros de circuitos de linhas de transmissão e a ampliação de 99,6 mil MVA na capacidade de transformação do sistema.

Ao final do horizonte, a extensão da rede de transmissão deverá alcançar 230,6 mil quilômetros, enquanto a capacidade instalada de transformação chegará a 623 mil MVA.

A expansão busca reforçar a integração entre regiões, ampliar a capacidade de escoamento da geração e aumentar a confiabilidade do suprimento, especialmente diante do crescimento das fontes renováveis e da necessidade de atendimento a novas cargas.

Setor energético soma R$ 3,3 trilhões

No conjunto do setor energético brasileiro, o PDE 2036 estima R$ 3,3 trilhões em investimentos entre 2027 e 2036. Desse total, R$ 2,53 trilhões estão concentrados em petróleo e gás natural, equivalentes a 76,4% do montante previsto.

Os investimentos em exploração e produção de petróleo e gás deverão somar R$ 2,42 trilhões, enquanto R$ 95 bilhões serão destinados à infraestrutura de refino e abastecimento e R$ 16 bilhões à oferta e infraestrutura de gás natural.

O plano também projeta R$ 143 bilhões em investimentos em biocombustíveis, incluindo etanol, biodiesel, combustível sustentável de aviação (SAF), diesel verde e biometano.

Em relação ao PDE 2035, o volume total de investimentos apresenta redução de 6% em reais. Segundo a EPE, a diferença está relacionada principalmente à mudança da taxa de câmbio de referência, de R$ 6,10 para R$ 5,45 por dólar. Em dólares, a estimativa aumentou 5%, passando de US$ 579 bilhões para US$ 607 bilhões.

Fonte: megawhat.uol.com.br

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